Divinas conspirações

O caro Tiago Cavaco há dias lembrava, espirituoso, que toda a toalha tem a sua mancha: "O Ricardo Araújo Pereira faz rir como poucos e assina também textos para o HermanSic, o pior programa de televisão no ar. O Bruno Sena Martins tem um dos melhores blogues do mundo e está atracado à miséria ondulante do Borndiep". (Embevecidamente lisonjeado pela primeira parte. Quanto ao mais, um dia falaremos longamente Tiago, certamente num interessante evangelismo dialógico). Mas no fundo esta teoria das manchas insuperáveis parece ligar-se um cepticismo antropológico que perpassa pela Voz: a iteratividade da queda, ou seja, repetimos incessantemente aquilo que nos separou da graça de Deus. E assim tudo lá se resolve quando o Tiago conclui quase desassombrado, enquanto se junta ao clube "Esta é a humanidade à qual me orgulho de pertencer."

Mas, na verdade, lembrei-me de evocar a Voz do Deserto porque me ative a este post "Tive uma namorada que me acusava de tomar sempre o partido dos outros. Parece que, quando relatava algo desejando encontrar em mim um aliado contra o mundo conspirador, eu optava por alinhar no conluio." Bem apanhado. É que eu também já tive esse problema. Por princípio - democrático, ou algo que o valha - começaria sempre a defender quem não está presente. Aprendi mais tarde o quanto essa forma se inconcilia com um certo "dar colo", quando, afinal, às vezes as teorias da conspiração só servem para isso mesmo. Não são paranóias, apenas leitmotivs para abraços.



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