As Respostas

1- "Não achas que te expões demasiado com o que escreves no blog?"

[Começo então respondendo à primeira daquelas perguntas que identifiquei como as mais frequentes . Depois continuo.]

Acho que me exponho, sem dúvida. Há elementos da minha vida que são aqui despudoradamente desvelados: sítios onde vou, pessoas que conheço, coisas que faço, coisas que nunca fiz... No entanto, não me aflige expor elementos das minhas vivências, eventos, fracassos, aspirações, até porque a minha condição de ilustre anónimo faz com que eu tenha muito pouco a perder, não havendo, por isso, algo próximo de uma "imagem a manter". Obviamente há pessoas que me conhecem pessoalmente de diferentes meios, e, ao passarem por aqui, têm acesso a dimensões que as nossas identidades parciais nem sempre mostram. O velho drama da mãe poder ler o nosso blog. Mas isso deve ser como reunir amigos de quadrantes diferentes numa mesma festa, ou pais e amigos, ou ex-namoradas, que assim ficarão a perceber as diferentes pessoas que nós somos nas diferentes sociabilidades. Nas diferentes circunstâncias, para glosar Ortega y Gasset.

Mas há uma outra dimensão que eu acho que se manifesta de um modo porventura mais subtil, e talvez esta seja a exposição que eu menos controlo: a expressão dos meus estados de alma. Quer pela escolha dos temas para posts, quer pelo modo como lhes pego, creio que é possível perceber se ando tristonho, se melancólico, se apaixonado, se contemplativo, se nostálgico, se lamechas, se combativo, se primaveril... Mas, para responder à pergunta, acho que faz parte da minha vontade de aqui escrever esse ímpeto - quiçá mais narcísico - de, nalguma medida, falar de mim e contar as minhas histórias. Por isso a exposição pessoal é uma condição de existência do "Avatares" e não um mero efeito não pretendido.



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