Women on Waves: vinde


Segundo se noticia, em breve chegará a Portugal o barco-clínica da Women on Waves, uma organização que procura chamar a atenção para as consequências do aborto ilegal, prática bem conhecida entre nós como o "aborto de vão de escada":
Every 6 minutes somewhere in the world a woman dies needless as a result of illegal, unsafe abortion". (...) At least 20.000 illegal abortions are performed in Portugal each year. As a result of complications of these illegal abortions around 5000 women are attended in hospitals every year and approximately 100 women have died unnecessary in the last 20 years(figures of Portuguese health ministry, information AFP)...

Este barco peregrino actua no respeito do quadro legal, segundo o qual, uma vez em águas internacionias, deverá será feita valer a legislação do país que dá a bandeira, neste caso a legislação holandesa. E será em águas internacionais que, por recurso à pilula abortiva e sob acompanhamento médico, se realizarão intervenções às mulheres que assim o desejem. Estas mulheres deverão também cumprir um conjunto de condições, a primeira das quais: não ultrapassar as 6 semanas e meia de gravidez.

Esta inciativa parece-me uma oportunidade única para que os ventos da mudança soprem enfim. Como já aqui refri sou contra qualquer posição facilitista em relação ao aborto, que, creio, será sempre um tema difícil, o contrário seria ignorar o outro lado: o complexo estatuto de uma vida humana em germinação.E por favor não venham com "a barriga é minha!". No entanto, entendo não ser sustentável o continuado "desviar do olhar" em relação às milhares de mulheres que, sem possibilidades de recorrer às clínicas espanholas, põem a sua saúde em risco, sujeitando-se a experiências (ainda mais) traumáticas no seio de uma indústria underground. Uma rede clandestina que, na maior parte dos casos, não reúne um mínimo de condições de saúde e de acompanhamento. Na União Europeia só a Polónia, a Irlanda, Portugal e Malta continuam a ignorar o problema, ignorando igualmente algumas recomendações da União Europeia sobre os direitos das mulheres. Parece que o debate para a mudança da legislação, planeamento familiar, introdução da educação sexual e afins voltará a dar à costa. E isso, estou certo, é mais importante que os abortos que de facto venham a ser feitos.



<< Home