What about you, Rick? II

Foto evocada aqui

Rick, impassível, diríamos, vê o avião descolar-lhe o querer. Na verdade, instado na costa, o cínico-mas-pouco como que assiste a um naufrágio longínquo, naufragando também. Sabemo-lo, são convulsos os amores em tempo de guerra. Romances e filmes asseveram-nos amiúde as tantas vezes em que o adeus às armas é também o adeus ao amor. Mia couto dizia que a guerra não se limita a fazer deslocados, pois ela mesma se desloca para dentro das pessoas. Em Rick a guerra alojou-se pela filigrana de uma memória dilacerante, a memória de Ilsa. A memória de Paris, cidade-tempo cuja alma vemos abandonar o trem de descolagem. Ei-lo, o avião no céu escurejado fugindo ao seu próprio rasto. Parte para Lisboa. Dizem. Entreposto para outros voos. Na despedida fica a deliciosa tentativa de apequenar a dor tão laboriosamente escondida: "Näo sou um homem muito nobre. Mas vejo o pouco que os nossos problemas significam neste mundo louco". E depois da Guerra Rick? Que será de ti Rick? Rick, temo que esta letra não te sirva:

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime


Conheces outra? Dizem que Bob Marley talvez ajude.



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