Simulações de afectos


Stephen Peters

Sabemos bem que, nos dias que correm, a simulação do banco, relativa ao empréstimo para compra de casa, é responsável por mais casamentos do que as efabulações românticas. Viver com os pais, num quarto ou num T0 alugado pode ser uma forma de perseverança romântica. Há quem diga que primeiro devem vir as simulações do amor. Há quem delas desista. Há quem nÃo tenha crédito para tentar. Há quem avance temeroso pela ausência de simulações fiáveis. Há quem insista em viver simulacros de sonhos.

Como diz Jean Baudrillard, em Simulacros e Simulação, "O que nos atormenta não essa antecipação de todos os resultados, a disponibilidade de todos os signos, de todas as formas, de todos os desejos". Ai, o futuro...
Giddens falava da destabilização da confiança e da busca de segurança ontológica como traços marcantes da formação da identidade na modernidade. Na obsessão pela antecipação tentativa do futuro, a invenção ocidental do amor romântico é, obviamente, uma maçada moderna



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