Indescritível

Por uma questão de horários, preteri o combóio ao expresso para uma ida ao Norte com passagem pelo Porto. As estações de autocarros raramente são espaços acolhedores, habituámo-nos a aceitá-las como não lugares: sítios de travessia onde ninguém deixa a marinar a sua identidade. Mas, ainda que o panorama nacional seja péssimo, a estação do Porto ultrapassa tudo, é, quero crer, uma "topografia do insulto" para quem usa transportes públicos. Aquela garagem sombria, as bilheteiras, o bar, a casa de banho, o espaço de espera, os níveis de monóxido carbono, o constante perigo de atropelamento..., enfim, uma rapsódia de indecências que, na minha ingenuidade, jamais pensei serem possíveis na estação de uma cidade com a dimensão do Porto. Lamentável porta de entrada.



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