Tatuagens: a moda das eternidades

Uma leitura extensiva pelas revistas socias e afins revela uma prática que se vai disseminando: o ritual de inscrever no próprio corpo tatuagens com o nome do outro amado. Sabemos o quanto as relações amorosas são voláteis nos tempos que correm, e, creio bem, será perante a "insegurança ontológica" (Giddens) que daí decorre que poderemos tentar explicar o fenómeno que leva alguns casais a aceitarem próteses epidérmicas como condição para verem o seu nome eternizado no corpo amado. Estas tatuagens conferem um ensejo que nem a sexualidade confere, o desejo de eternização material no corpo do outro - desejo de algum modo presente na desprezível lógica patriarcal de "tirar a virgindade". Podemos dissertar acerca dos afectos, do amor, do ensaio sobre a dádiva; mas, do ponto de vista macro-económico, torna-se incontornável reconhecer que as únicas garantias de futuro vão para a indústria de remoção de tatuagens.



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