A morte de um autor

Com o auxilio de umas cervejas, estabeleci um interessante dialogo com um mui eminente academico americano. E sempre uma experiencia engracada quando conhecemos algum cuja obra lemos e admiramos. Quase sempre a "humanizacao do autor" assemelha-se a uma experiencia de desilusao, ou, melhor dizendo, de desacralizacao. A escrita e faz-nos supor personagens 'as quais nem sempre adivinhamos as ansiedades, defeitos, ensejos e frustracoes. A escrita tem uma vocacao para idealizacoes acerca de quem atras dela se esconde/revela. Pois, a verdade e que o tal academico revelou-se uma "deliciosa humanizacao". As tantas eu, ele e uma australiana (compreensivelmente a babar por ele) estavamos a falar sobre as nossas vidas pessoais. Surgiu a certa altura o conceito de lovable person (pessoa amavel), eu avancei com o livable love (amor vivivel). Num registo altamente confessional contou-nos da sua vida de casado de 27 anos, da sexualidade dos filhos, dos amores, do lugar das conferencias na sua sociabilidade erotica (aconselhou-me o romance de David Lodge), cuscou arguto sobre a minha vida amorosa (whatever that means), da da australiana, dissertamos, ouviu teorizacoes, pediu conselhos... Enfim mostrou ser uma personagem adoravel.

Noutro cacho de ideias Roland Barthes falava da morte pos-moderna do autor-deus, devo admitir que este soube morrer.



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