Ainda mexe

a instigante conversa iniciada pela Inês acerca do sexual healing e que aqui seguiu nos comentários . A Inês brinda-nos com interessantes considerações e avança uma pergunta: "como explicar que a arte (que alguma coisa há-de ir buscar à realidade) nos dê conta de tantos momentos de crise emocional vividos por mulheres e atenuados pelo sexo, sem que sobre elas recaia qualquer censura (dos outros, maxime do outro)?"
A Inês faz notar que há menos expressões artísticas em que apareça a cena do homem emocionalmente fragilizado procurando sexo consolador.

Telegraficamente - isto está complicado por estes dias - ofereço uma possibilidade de resposta: há aqui duas contruções sociais concorrentes. Por um lado, no sexo fora de uma relação emocional estabilizada, as mulheres são, de facto, alvo de uma maior censura social. Mas, por outro, a assunção perante outrem de um descontrolo/fragilidade emocional é mais desqualificante para os homens porque coloca em causa determinados ideários acerca da masculinidade. Portanto, na assunção da crise emocional e na busca do sexo consolador, há um primeiro passo que, à luz das nossas construções culturais, é mais facilmente dado pelas mulheres.



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