Seios em Flor

Laetitia: As flores e os frutos


Primeiro, com a primavera, vieram despontando os decotes em flor. Surgiu então o dia em que diáspora dos pólens infundiu as paisagens humanas, sem apelo. O solstício último assinalou o princípio das horas em que se recupera a ancestral intimidade entre os seios e o relento dos dias que às vezes são noites.

Sabemos que nas culturas ameríndias era costume ouvirem-se os elementos; não raro era alguém entabular conversas com as árvores. Podemos avançar que, no fundo, perdemos o hábito de escutar as vozes insuspeitas. Pois creiam que estamos a viver nesse tempo em que tantos seios enfim aparecem - exuberantes ou discretos - apenas para dizer que sempre lá estiveram. Para lá da imaginação, das grossas camisolas de lã, da memória e do esquecimento. Eles já lá estavam. Ler estes sinais é saber "conversar" com as epifanias do encanto.



<< Home