"Preciso de espaço..."

"Preciso de espaço". Solene, esta é uma das frases mais celebremente empregues nas relações amorosas. Se às vezes uma tal declaração será lida como o prenúncio de um fim desejado, noutras situações ela é apenas uma forma de "calibar" a lógica relacional.
Forçando um pouco a coisa, distingo dois tipos de "espaçosas/os":

1- Os espaçosos de vocação, aqueles cujos termos da individualidade colidem com a ideia de uma ligação afectiva muito apertada.
2- Os espaçosos defensivos, aqueles que guardam um espaço pessoal, um espaço que, pretendem, não se deverá rebolar com amores. Estamos perante uma estratégia para salvaguar um "eu-reduto" das costumeiras perdas e desistências do querer. Aquilo que num registo algo essencialista Jorge Luis Borges chamava "o íntimo coração que não se revela em palavras, não trafica com sonhos e que o tempo, a alegria e as adversidades não conseguem tocar."

No modo como eu os percebo, os espaçosos de vocação conseguem ser pessoas relativamente "bem resolvidas".
Mas para os espaçosos defensivos haverá sempre um chamamento passível de "aparecer" como uma terrível tentação: "Let your unloved parts get loved". Para elas/eles, importará fugir das "aparições" de um "mundo encantado" (Weber).



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