Michel Foucault 1926-1984

FoucaultNo passado dia 25 de Junho de 2004 passaram 20 anos da morte de Michel Foucault. Devo-lhe muito, aliás, um dia este homem salvou-me quando no final da licenciatura me meti a fazer uma tese sem qualquer chão.

Quando perguntaram a Foucault como se definia - estruturalista, pós-estruturalista, pós-moderno - ele respondeu algo do género: "não peçam para dizer quem sou e não me peçam para não mudar". A coerência desta resposta com a sua obra é toda, não só porque mudou de perspectiva em várias questões centrais, mas também - um também que é sobretudo - porque, entre o fatalismo e o cepticismo libertário, os seus questionamentos foram sempre em busca de tudo aquilo que perdemos por sermos quem somos. Um mote que tanto se oferece à persecução da história da modernidade, como à apologia da empresa antopológica enquanto resgate de outros universos de sentido, outras culturas. Ele acreditava nos limites do que podemos fazer, pensar e imaginar, e, ao escavar como esses limites se vieram a confundir com os contornos daquilo que tomamos como verdade, Foucault legou-nos preciosas pistas para a sua superação. Mostrou-nos, enfim, como "nós estávamos destinados a esta amarga e crepuscular sabedoria de não ter por nossos os discursos com que falamos" (Vergílio Ferreira). Detemos, na verdade, uma sabedoria estreita construída segundo a inédita capacidade que a modernidade inaugurou para produzir realidade articulando poder e conhecimento. Uma realidade singularmente fortificada pelos dispositivos que asseguram os "regimes de verdade":

Numa cultura e num dado momento, nunca há mais de uma episteme, que define as condições de possibilidade de todo o saber, quer seja o que se manifesta numa teoria ou aquele que é silenciosamente investido numa prática. ... Este a priori é aquilo que, numa época dada, delimita na experiência um campo de saber possível, define o modo de ser dos objectos que nele surgem, arma o olhar quotidiano de poderes teóricos e define as condições em que é lícito tecer um discurso sobre as coisas reconhecido como verdadeiro. (em as Palavras e as Coisas)



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