Cidadania gay


Realiza-se este sábado a marcha nacional do orgulho LGBT. Ainda hoje muitos se apressam a ler este tipo de manifestações como exibições provocatórias com o propósito de chocar. Há que perceber que o que se erige ali é, acima de tudo, a celebração de uma diferença que na nossa sociedade é muito difícil de assumir na vida de todos dias. Os LGBT não nascem e morrem em paradas, e é em casa, com os pais, no trabalho, nos círculos de relações, onde, não raras vezes, são confrontad@s com formas de discriminação nem sempre fáceis de enfrentar. As estatísticas das taxas de suicídio em adolescentes gays são bem expressivas do quanto há a trilhar para o direito de poderem amar livremente - pessoas e não sexos. A sociedade e a lei continua a punir quem não consegue amar by the rule, a marcha trata-se, creio bem, de uma jornada de cidadania pelo direito à diferença: o direito a ser diferente, o direito a ter direitos na diferença. O ano passado na Holanda, numa normalíssima esplanada, um rapaz lá sentado recebeu o seu namorado com um beijo. Fiquei chocado, mas por perceber que era a primeira vez que estava a ver na minha vida essa cena simples, ali tão trivial. O facto de se ser heterossexual não deverá justificar um alheamento em relação a tais formas de injustiça social.



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