Blogosfera: whatever that means

São impressionantes e variadas as tranformações que a blogosfera tem sofrido desde que eu comecei a dar atenção ao fenómeno. De muitas metamorfoses temos dado conta: a mudança do espectro político dominante, a diversificação das causas e dos temas, a partida de alguns notáveis do burgo, a chegada de outros, etc. Mas há algo que se torna muito palpável nos termos que o diálogo blogosférico passou a operar; refiro-me a uma evidente fragmentação das conversas e dos temas de interesse. Este meio, a avaliar pelo sitemeter, parece crescer consistentemente no número daqueles que atrai, mas cresce de um modo que já não nos permite pulsar a dimensão da coisa no sentido mais amplo. Isto é, cresce mais difusamente, o que agora se verifica é que os blogs entram em relação dialogante com outros blogs com quem já têm uma "tradicional" simpatia ou antagonismo. Ou seja, assistimos a uma estabilização dos interlocutores priveligiados e à perda de capacidade de algumas vozes para chegarem "a todo o lado". A prova disso é conspícua, basta pensar como longe vai o tempo em que um post podia percorrer a blosfera de lés a lés. Não há nisto qualquer nostalgia, nem acho que ela se justifique. Constato apenas que a profusão e consolidação de familiaridades concêntricas faz respirar uma nova lógica no modo de ser da rede.



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