As notas de medicina. Quotas para homens?

Defendidas Quotas para Travar Entrada de Mulheres nos Cursos de Medicina .

"O bastonário sabe que, "com o actual sistema de acesso aos cursos de Medicina, entram mais mulheres do que homens" nas faculdades. Para isso conta muito, em seu entender, o facto "de as estudantes terem mais juízo e estudarem mais do que os rapazes".

Eu não sou, como muitos, contra a ideia das quotas por princípio. Entendo que em muitas circunstâncias as quotas devem funcionar como uma discriminação positiva, pois, só assim, contra tessituras sociais estruturalmente excludentes, é que é possível garantir a igualdade de oportunidades. É por isso sou a favor das quotas, por exemplo, para as mulheres na assembleia da república e para promover o emprego de pessoas com deficiência. Agora, o que se passa com a medicina nada tem a ver com desigualdade de oportunidades, mas sim com notas de entrada altíssimas, que exigem que o estudante tenha, numa importante idade para "ver mundo", uma grande capacidade de abdicar de muitas dimensões a sua vida. Algo que, por razões sócio-culturais, acontece mais facilmente entre as mulheres. É um exemplo disparatado, eu sei: No ano em que eu fiz os exames de acesso decorria um europeu de futebol com dois jogos por dia. Provocativamente, afirmo não ter dúvidas que esse europeu contribuiu para uma feminização do ensino superior. É desejável que a entrada para os cursos de medicina não exija um tão grande centramento vivencial nos resultados escolares, mas, até lá, queiramos ou não, no que concerne à prevalência dos sexos, é a meritocracia a funcionar.



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