Antropologia de um desejo


Entre outras coisas, Colonial Desire conta-nos a história de um desejo. O desejo sexual que nas diferentes relações coloniais foi nutrido pelo outro, o outro colonizado. Neste livro, Robert Young, recorrendo a interessantísissimas fontes históricas, mostra como esse desejo viveu marcado pela tensa relação com o racismo e com as teorias racistas que legitimaram a dominação ocidental colonizadora. A transgressão presente nessa atracção ansiosa percebe-se bem, é a mistura difícil de combinar entre racismo e desejo. É ainda seguindo o trilho desta tensão matricial que Robert Young se debruça sobre o estatuto incerto dos produtos das relações aí germinadas, os híbridos, os mulatos. Para quem aprecia teoria pós-colonial, Robert Young será, por assim dizer, o "Homi Bhabha da carne".

Neto de "encontros coloniais", filho de dois "híbridos", a história da minha família é também, nalguma medida, a história desse desejo de que vos falo. O desejo colonial.
P.s. A fotografia da Alicia Keys com que vos brindo é, como diria Susan Sontag, a revolta da arte contra os intelectuais.



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