Adeus ao Dicionário do Diabo

"Sem ambiguidades, fico contente que o dicionário não feche a loja. Não deveria ser tão custoso dizê-lo!" Escrevi-o em setembro de 2003, aquando da ameça de um terminus precoce do Blog de Pedro Mexia.

Pois, mas desta vez Dicionário do Diabo acabou mesmo. Nos últimos tempos a actualização era já muito esparsa, ainda assim, o anúncio de um final simbólico, electronicamente consubstanciado, não deixa de representar uma partida significativa para quem, como eu, tanto apreciava aquele registo intimista (diferente de expressão da intimidade), quase-depressivo e profundamente auto-depreciativo. Acerca daquilo que me atraía na estética bloguista de Pedro Mexia, já prosei longamente aqui, aqui. Os Posts de Pedro Mexia ficarão registados num livro que saiu há dias: Fora do Mundo. Soube-o pelo próprio Pedro, que me contou a nova a propósito de um texto meu que por lá é citado. Ademais, registo a simpatia: o Diabo, segundo alguém me disse, fez constar o meu nome dos agradecimentos dessa antologia. Resta esperar, doravante, que ele vá aparecendo no seu blog colectivo. Para terminar, deixo-vos que um daqueles posts, um post à Mexia:

"FARTO: A conversa decorria há meia hora. Começava a estar farto de tanta banalidade. Farto de tanta estupidez. De tanto sentimentalismo, verborreia, imbecilidade. Farto de frases descosidas, menores, absurdas, repetitivas. Farto de tanto aborrecimento. Assim sendo, decidi calar-me e deixar que ela enfim falasse um bocadinho."



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