"Era para toda a Vida...": Um Piropo dedicado à eternidade

André Bonirre, pegando em ditos bajulantes como "ainda dizem que a flores não andam!", desafia-me a um olhar sobre o "piropo camponês". Caro Bonirre, de facto é profusa a "imaginação camponesa" (se assim lhe podemos chamar) quando se põe ao serviço da adulação das mulheres. (Claramente, uma forma de coisificação do feminino). Mas devo confessar que, das centenas de piropos que tenho ouvido por essas terras afora, há um que sempre me intrigou pela singularidade:
"Era para toda a vida..."


Se repararmos esta declaração é insólita, perigosa e, sobretudo, rompe com a lógica platónica: sugere que é possível um homem entregar toda a sua vida às curvas de um corpo. Isto porque, nesse delicioso piropo, ao mesmo tempo que se afirma o efémero do desejo, como quem prescruta a solidez das mamas e a composição do rabo, reivindica-se um querer que, sem ser amor, se consagra ao porvir. Toda a vida...

Atenção! Este piropo, para deverá ser enunciado por uma voz suspirante, como aquela que muitas vezes ecoa do alto de um andaime: "Ai...Era para toda a vida..."
Para mim este é sem dúvida o mais ousado dos piropos que dimana da "imaginação componesa". Convenhamos, perante uma afirmação de tal espécie há muitas formas de imaginação que se retraem...



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