Desdizer com Beijos

Alguns de nós são carinhosos e outros nem por isso. No entanto, e como dizia Ortega y Gasset, o ser e o estar confundem-se: somos sempre nós e as nossas circunstâncias. Há pessoas que nunca reputaríamos de carinhosas, mas que de facto o são, ainda que apenas se revelem no toque, no modo como beijam, como dão a mão, como abraçam, como afagam o cabelo, como se encostam para dormir, como se demoram sobre a pele próxima. (Não falo apenas, nem principalmente, de enleios corpóreos de cariz erótico). Acreditar nestas emanações de carinho onde elas seriam insuspeitas é talvez uma forma de fé no outro. É talvez um modo de ser carinhoso para além das circunstâncias... Tocar até pode não ser importante.



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