A arte da tampa

Respigo um excerto do Diário do Dicionário Diabo: "Continuo com tosse. De manhã, levo uma tampa. Depois de almoço, dou por mim na mesma sala que Júlio Isidro (...)"

A tampa. Eu penso que não temos prestado suficiente atenção à arte da tampa. Alojados no mitos de Cleópatra e D. juan, habituámo-nos a valorizar a capacidade de engate/corte/sedução. Mas as tampas também podem constituir uma forma sublime de arte. Obviamente não falo daquelas costumeiras: "estou a sair de uma relação", "não sei dançar", "eu prefiro ir a pé", "veste-te que te constipas!", falo, isso sim, das tampas que conseguem preservar a razão da viagem, as tampas encantatórias. É uma arte dificil, há que atentar na sensibilidade d@ pretendente, há que medir o nível de interesse que se quer preservar, há que lidar com o constrangimento, há que afastar o perigo quando a tampa vai contra o desejo, há que gerir o uso do humor*, há que equacionar um beijo de despedida,... Enfim, acho que a tampa constitui um campo de profundas complexidades, importa pensar que quem apanha tampas com muita frequência provavelmente apenas está a explorar uma das artes menos valorizadas na nossa sociedade.

*Por exemplo: "desculpa, mas não dou o número do meu telemóvel a ninguém com que ainda não me tenha envolvido sexualmente"



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