Óscares, decotes e corpos

O meu silêncio em relação aos decotes dos Óscares recebeu uma merecida chamada de atenção da Isabel e da Xinha. Elas têm toda a razão. Como eu adormeci a meio da cerimónia tive que fazer um aturado trabalho de investigação nos sites da especialidade. Depois de ver e rever, não tenho dúvidas, Chalize Theron no seu vestido de alva cor, ancas exuberantes (conferir “Cider House Rules”), foi a mulher da noite. Não posso, no entanto, deixar de dirigir umas palavras de apreço para as mamas da Angelina Jolie.

Longe das incorruptíveis formas da Laetitia Casta, todos sabemos que as mamas de Jolie são instáveis e levemente caídas, fazendo lembrar, apenas nos seus melhores momentos, o deslumbrante peito da Mónica Belucci (Conferir “Gia”), ambos (os pares) um pouco menos seguros que o da sumptuosa Jennifer Connelly. No entanto, a ideia forte é que o declive das mamas da Angelina Jolie, orgulhosamente ostentado, é também a prova da sua veracidade estética (silicone-free), representado de modo portentoso a beleza sinuosa dos corpos que realmente existem. O desenvolvimento sustentado e o pensamento ecológico conhecem no peito de Angelina dois dos seus mais poderosos ícones. Mais, no seu belo declive, os mamilos da Tom Raider apontam para baixo, imitando o movimento angular dos olhos que observam o seu peito de cima, imagino, sem sobranceria, dobrando-se sobre a deliciosa humildade das formas da vida. É nessa inclinação que a irmandade entre olhares e mamas é finalmente reificada, enquanto realidades que reciprocamente se convocam e respeitam. No fundo falamos de uma vénia à exuberância da existência enquanto ecologia de diferenças, uma ecologia de cumplicidades entre irises e mamilos.

P.s.1 Tornou-se claro nesta cerimónia que o culto da alta-costura muitas vezes torna o vestido como um fim em si mesmo, molestando os corpos que os vestem. Penso que a esmagadora maioria dos corpos ─ e dos seios em particular ─ merecia mais respeito. Uma negligência das formas da vida. A rever.
P.s.2 Percebo pouco de costura, mas achei este vestido, com motivos nipónicos e indianos um deslumbre.

Singelo mas deslumbrante. Olha quem é ela!




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