O ridículo après la lettre

Quem se deixou de grandes riscos afectivos, moderando os investimentos, precavendo as perdas, assume frequentes vezes uma atitude cínica em relação ao amor e às relações nele fundadas. Esse cinismo estratégico é, creio bem, a memória acesa do amor (e das suas consequências) e não a sua negação enquanto móbil do querer.
Há pois algo de ridículo nesse cinismo. Eu gosto desse ridículo, tem graça. É lindo! Ele está para o amor como o pós-modernismo está para as certezas da modernidade. A estetização do desgosto amoroso é, pois, um dos fundamentos da pós-modernidade.

A verdade é que hoje
As minhas memorias
D'essas cartas de amor
É que são
Ridiculas.


Álvaro de Campos

Posts não esquecidos: Tiago disserta sobre os ciúmes do passado. Pedro debate a estetização da auto-estima.



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