Ilsa


O amor romântico é uma invenção ocidental para preservar a monogamia. Esta é uma hipótese avançada alguns pós-traumatizados no estado cínico. Outros discordam, afirmam que o amor romântico tem em si o poder da transgressão, lembram a propósito os "amores que quebram as regras".
O que me parece interessante é que muitas vezes o quebrar da regra é, no fundo, um reformulação da regra; por exemplo, a Ilsa do Casablanca (Ingrid Bergman) não negava a monogamia, apenas queria trocar uma monogamia por outra.

No mesmo sentido, mesmo entre os defensores de "relações liberais", muitos/as há que se apegam a uma monogamia estatística (segundo o Sistema Internacional, 66% das vezes com a mesma pessoa) onde encontram a sua base emocional e vivencial (porventura um amor). A relação entre amor e uma concepção de monogamia é, entre nós, bastante resistente. O cíume é uma dos suas emanações. A pluralidade dos encantamentos é o pano de fundo -- uma espécie de ameaça permanente -- de qualquer construção afectivo-erótica com pretensões exclusivistas. Escolher um só chamamento pode ser uma radical transgressão. Não escolher também.



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