Idalina

Enquanto me dediquei a uma espécie de trabalho comunitário, havia uma pessoa que frequentemente me chamava enunciado a frase: “Bruno, pelos teus lindos olhos…”. Não creio que os meus olhos sejam particularmente bonitos. Não são. Pouco importa. Na verdade, para Idalina, a pessoa que assim me invocava, isso não era demasiado relevante. Idalina ─ mãe babada, profissional competente e pessoa bastante “desenrascada” nos “mundos da vida” ─ nunca viu. Sempre foi cega. (Uma cega bem feliz, acrescentaria). Assim, quando Idalina apelava aos meus lindos olhos, substanciava afinal uma humorada forma de pedir o meu apoio para alguma tarefa em que um par de olhos pudesse ser de alguma valia. Acreditem, a suave ironia de Idalina nunca ter visto os meus olhos apenas reforça a poética com que lembro esse doce chamamento.



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