Fingir de morto. Um homem com tomates

Engraçado, o Luís recorda-me uma argúcia que a minha infância também sonhou: "Sucede que sou cobarde. Sempre que ouvia os relatos das grandes batalhas da história e me imaginava em combate, era sempre caído no chão, de borco, a ouvir o tremendo clamor e a fingir de morto."

Poderia dizer que isto nos fala da coragem da sinceridade, mas aí estaria a labutar no mesmo regime de valor que preza a coragem per si. Algo que é caro a muitos belicistas inconsequentes que intentam chamar cobarde a Zapatero. Por muito que perorem a questão é que a retirada das tropas espanholas do Iraque nada tem a ver com aquele maravilhoso dito: "Dizem que fugir parece mal mas dá uma rica saúde ao corpo."

Prende-se, isso sim, com o reconhecimento de que o ataque ao Iraque constituiu um erro estratégico e um descentramento em relação àquela que deveria ter sido a prioridade na segurança internacional: O terrorismo da Al Quaeda. Utilizando em jeito de ironia o texto da coragem (um valor fundamentalmente masculinizado) que por aí se alardeia, poder-se-ia bem dizer que Zapatero mostrou ter tomates.



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