As trabalhadoras sexuais vendem ou alugam o corpo?

A partir da história de uma ousada antropóloga leio na conversa entre Miguel Vale de Almeida e o Boss interessantes considerações em torno da diferença entre prostituição e trabalho sexual. Conforme afirma MVA, "a noção de corpo e sexualidade prevalecente é baseada na ideia cristã-ocidental do corpo como templo de deus". (eu prefiro Deus, uma questão de fé...). É, pois, a partir dessa prevalência que descortino uma outra interessante subtileza linguística, aquela que refere a prática da prostituição como "vender o corpo". Se a nossa visão fosse estritamente mercantil, "alugar o corpo" seria a expressão mais precisa para descrever o que se passa na actividade de uma trabalhadora sexual/prostituta, mas isso faria supor uma reversibilidade que moralmente tendemos a não aceitar. Ou seja, "vender o corpo" é uma expressão íntima de "vender a alma", refere uma ideia de perda e perdição que o aluguer não contempla.



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