"Subversão no dia 14? vai dizer isso à minha namorada!"

No limite todos as contruções culturais, mesmo aquelas a que chamamos tradições, são invenções sociais. Nesse sentido, no abstracto, o dia dos namorados é tanto uma invenção como outro marco qualquer. Só que, além do carácter construído do Dia dos Namorados ser muito notório pela rapidez com que se estabeleceu, ele surgiu no noso meio como um óbvio produto dos interesses económicos. Não tenhamos, dúvidas, o Dia dos Namorados é uma perversa forma de chantagem emocional, um terrível imperativo que funda o amor na dádiva (comprada previamente). Eu acredito num mundo sem amos com a mesma intensidade que acredito num dia dos namorados sem prendas. Chamem-me nomes, mas esta promiscuidade sexual entre amor e capitalismo...
Eu sei. É óbvio que falo de uma posição confortável, mas nem sempre terá sido assim... Creio que é preferível festejar com oferendas os 17 meses desde o primeiro beijo, a primeira discussão, a primeira declaração de amor, o primeiro banho juntos, a primeira viagem, a primeira vela gasta... Claro. Há sempre a possibilidade de apropriações criativas. De facto a indiferença deixou de ser uma opção. Enfim, safem-se como puderem, mas, por favor, ao menos não comprem um swatch desenhado de novo para o evento.
Por falar em Dia 14



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