Jesus Reloaded

"O que é que Jesus faria no meu lugar?" Esta é uma das questões que o discurso religioso frequentemenete coloca à reflexão pessoal do crente. Curiosamente, este mero exercício, ao trazer a fé para os mundos da vida, coloca um abissal desafio de exegese e um esforço de tradução sócio-cultural que dá cabo de qualquer entendimento literalista/fundamentalista/integralista da Bíblia - aquele mesmo que vigia decisões tão absurdas como proibir o uso do preservativo porque o Santo Agostinho descobriu o pecado original como a chave interpretativva da queda no abismo. Siga.
Mas, ironicamente, a tal questão é mesmo acutilante. Sobretudo porque nos lembra que 90% das decisões tomadas no dia-a-dia dificilmente encontram resposta em credos, versículos específicos, posições eclesiásticas ou interpretações rigorosas do hebraico, do grego ou do aramaico. Ai as pessoas, sempre elas...

Há mais textos sobre textos do que sobre outra coisa qualquer, a mim sempre me deu a ideia que aquela história do amor ao próximo, se levada a sério, pouparia muitos dos labirintos teológicos, sempre mais preocupados com a palavra e com o resgate do sentido original.

A ironia é que o amor ao próximo supõe esse gesto prévio de fazer do outro próximo. Acho que aí o fundamentalismo textual às vezes atrapalha um bocadinho.



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