A minha vida dava um post

A quem vive eventos, desventuras e ironias ditas inenarráveis, não é raro ouvir a expressão: "a minha vida dava um filme" ou "a minha vida dava um livro". Já a ouvi estas frases várias vezes, trazem sempre um pathos, a sombra de uma tragédia. Mas estes ditos enunciam algo mais, enunciam a singularidade do sujeito, adivinha-se ali o desejado prestígio, o anseio pessoal de ser tema de uma trama. Há portanto aquele sentido mais clássico do trágico, a honra de ser desgraçado; a narrativa trágica que não atingia a um qualquer, mas apenas àqueles cuja vida interessava aos deuses. Os escritores, argumentistas e realizadores são as divindades para quem pensa que a sua vida dava um filme/livro. Por outro lado, quando a humildade e o sentido de humor chegarem do alto alguém dirá em tom trágico-cómico: A minha vida dava um post.

Como poderia ter dito alguém que muito estimo por vezes há que estetizar o patético da existência.



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