Diálogos (act.)

1- O JCD do jaquinzinhos oferece-me trabalho! Depois de eu o ter chamado liberal radical por ele defender que as condições laborais deviam ser o resultado de uma contratualização livre entre trabalhador e empregador; simpático, propõe-me as funções de jardineiro: uns cobres acima do salário mínimo para acertarmos depois, se eu achar bem. Só que ao fazer referência ao salário mínimo o JCD já está a contradizer a sua versão radical da contratualização livre, é que eu tinha percebido que as conquistas proletárias não eram para aqui chamadas. OK, radical ma non troppo! Já João Miranda do Liberdade de expressão mostra ser um liberal radical puro.

2- O Lutz do Quase em Português propõe uma interessante leitura da passagem que faço da frase "a minha vida dava um livro/filme" para "a minha vida dava um post". Diz ele que quem clama por um filme ou um livro pede também uma narrativa capaz de conferir algum sentido/coerência à história pessoal. Bem visto. Por outro lado, uma vida escrita não num mas em muitos posts, torna-se a óbvia constatação da fragmentação do nosso EU, da falta de unidade/continuidade na nossa história, e do artifício que sempre é a escrita de uma narrativa coerente, capaz de criar um sujeito definido e definitivo.

Isto acontece porque os posts são exímios registos avulsos de vivências soltas, mas também porque há quem escreva inventando/libertando um outro eu. (Acontece com todos, para mim como para outr@s não é tão claro uma vez que dou o meu nome e tento sempre jogar com uma espécie de honestidade tensa)

Como muita literatura instigante tem defendido a unidade do self é uma laboriosa construção, uma busca de segurança ontológica que se torna necessária no nosso quadro de valores. A suspeita que noutros contextos culturais ganha corpo é que cada um de nós é uma entidade multipla (ou multi-instanciada), e que vive sempre várias vidas no espaço de uma vida.
Terminando Lutz brinda-me com um mui lisonjero post scriptum. Não sei se o mereço, babado, agradeço-lhe em meu nome.



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