As palavras falham-nos sempre perante a enormidade de um assombro. Teimosos, ainda que em silêncio, insistimos na busca de um sentido. Queiramos ou não, há eventos e imagens investidas de um poder nos destabiliza intimamente. Momentos há em que desistimos do sentido das coisas; aprendi com grandes mulheres e grandes homens que há momentos em que o único sentido possível é resistir. Sinceramente, não estou para as costumeiras análises dos que procuram sempre uma frincha para poder enunciar a contra-corrente iluminada sobre a vida social. Sei que há mortes silenciosas, sei da segurança nos estádios, sei do euro 2004, mas por favor, poupem-me por ora, não consigo esse distanciamento. Desde há umas horas atenho-me a uma imagem televisiva que me ocupa o pensar, atenho-me às palavras sábias e despretensiosas: A queda súbita de um atleta de alta competição, inanimado, em campo, depois de um sorriso, faz lembrar, brutalmente, a precariedade da vida.



<< Home