A voz das mulheres islâmicas

Diz CAA do mata-mouros sobre a atribuição do Nobel a Shirin Ebadi: "Depois desta encenação toda, expelir um discurso radical contra o Grande Satã Americano na linha do que qualquer Ayathola que se preze teria vociferado nas mesmas circunstâncias."

Não será isto a mais acabada expressão de uma visão maniqueísta do mundo, investida numa demarcação única entre o eixo do mal e a América contra o terror? Surpreende assim tanto que alguém possa estar contra regimes fundamentalistas e contra os Estados Unidos? A evangelização da democracia a la Bush opera uma cristalização identitária nas lógicas muçulmanas extremistas e oposicionais, inflama a diferença*, retirando espaço discursivo a quem legitimamente luta pela igualdade de direitos, pela expansão democrática e - abismem- se opõe ao imperialismo Ocidental.

Será tão difícil de entender?

*Deniz Kandyoti lembra que em muitas sociedades islâmicas as formas de regulação sobre as mulheres, sobretudo ao nível da segregação espacial, foram exacerbadas no decurso do encontro com o imperialismo moderno ocidental, fazendo com que as afirmações de autenticidade e de visibilização da diferença se dessem muitas vezes às expensas do silenciamento das mulheres.

Kandiyoti, Deniz, 1995, “Reflections on the Politics of Gender in Muslim Societies: From Nairobi to Bejing”, in Afkhami, Mahnaz (org), Faith and Freedom: Women´s Human Rights in the Muslim World, Syracuse University Press, Nova Iorque.



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