O Romantismo como predação

A "hermenêutica da suspeita" é um conceito que Paul Ricouer celebrizou. Realizar a hermenêutica da suspeita é olhar para os textos e para os eventos como se houvesse sempre neles algo de escondido que explicasse a sua existência. Por exemplo, numa perspectiva marxista exercer sobre o estado uma HDS é olhar para o modo como ele se perpetua servindo as classes privilegiadas.

Bem deixemo-nos de sermões. Apenas quero dizer que por estes tempos as pessoas que assumem um ser/estar romântico estão sujeitas a uma hermenêutica da suspeita que as vê como meros predadores - se bem que mais sofisticados. Ou seja, à luz de tais suspeitas, um sujeito romântico é alguém em quem não se pode acreditar, é apenas uma alma que realiza a sedução em câmara lenta. Aqui paga o justo pelo pecador, as excepções são subsumidas à regra . Toda a gente passa a desconfiar que haverá algo de predadatório no encanto que nos encanta. Evitar defensivamente o encanto tornou-se uma forma de sobrevivência numa época pós-romântica. Acho que isso faz mal a muita gente (os estados neo-liberais também).



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