O Orgasmo enquanto representação da impermanência

Para o Budismo, o orgasmo emerge como a representação carnal de que a crença eternidade é uma ilusão. Os Budistas defendem um desapego às coisas da vida, um esvaziamento (Sunnyata) capaz de nos colocar num patamar de depojamento total (Nirvana). Neste sentido a ilusão do orgasmo estaria associada àquele momento mágico em que se acredita na infinitude, na imensidão, na eternidade, no amor, vividos num aleph sensual de arreigações múltiplas. Mas o ocaso do orgasmo, esse sim, seria o fim da ilusão, a descida ao mundo das coisas que transitam e onde também nós devemos transitar sem desejo, sem sentimento de posse, sem ilusão da permanência. À luz desta leitura, a escatologia cristã, com sua crença na eternidade, é profundamente orgástica. Já a filosofia budista desvela-se como pós-orgástica.



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