Em nome do corpo? Dilemas da maternidade/paternidade

Existe na nossa história um longo rosário acerca dos usos de argumentos biológicos para justificar modos de vida. Numa conversa uma amiga minha justificava a sua necessidade de casar e ter flhos. Dizia-me ela que o corpo de uma mulher está adpatado para que, em termos ideiais, o primeiro filho ocorra antes dos 28 anos. Mais, ela contou-me que a intensidade do síndrome pré-mentrual tende a ampliar-se com a aproximação dessa idade se até então o corpo não for usado para fins reprodutivos.
Confesso, eu tive um dilema próximo deste que ia alterando o meu modus vivendi. Em tempos uma médica disse-me que os banhos de imersão prejudicam a produção de espermatozóides pela temperatura a que sujeitam os testículos. Felizmente não me abalou por aí além, da minha parte, sempre que posso, levo o rádio e lá vou eu para a casa de banho pôr-me de molho em profunda meditação.

Mas, falando mais sério, imagino como o que pensará o namorado da minha amiga quando confrontado com estes imperativos. Será apenas a ciência médica ao serviço das estruturas basilares da sociedade? Ou este é um clássico que de vez em quando tem que ser reequacionado em nome do corpo? Pergunto: Estamos perante questões que devem fazer as mulheres e seus parceiros (caso haja) pensar? Ou a pertinência destes dados não é tal deva orientar um projecto de vida?




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