Amamentar ou não amamentar?

Seriamente, penso vir a dizer algo sobre o aborto, mas por ora vou-me ficar por tema mais light. Amamentar ou não amamentar? Um dia, numa soalheira esplanada de primavera, assisti a uma insólita discussão. Num mesmo momento, duas conhecidas minhas tinham colocado em cima da mesa o futuro dos filhos e das suas mamas. Arredei as chávenas de café e fiquei-me a ouvir. Uma dizia que fazia questão em amamentar os seus rebentos, afirmava que não poderia prescindir de uma das mais belas experiência da maternidade, ainda que a qualidade erótica dos seus seios viesse a ser prejudicada. A outra afirmava lamentar profundamente, mas que sabia qual era o pernicioso efeito estético de dar leite a um bebé, adivinhava-o, as suas mamas jamais seriam as mesmas, e isso era uma ideia com que ela não conseguia decididamente transigir. Não tomei partido, limitei-me a colocar uma pergunta a cada uma, ambas profundamente provocatórias. À primeira perguntei se o desprendimento em relação às suas mamas partia do postulado que, na altura em que tivesse um filho, o factor atracção seria menos importante, uma vez que aí já estaria implícito um marido assegurado. À segunda perguntei se o objectivo era amamentar com níveis elevados de qualidade os mais crescidos em detrimento dos bebés. As minhas perguntas foram demagógicas, mas a discussão saiu beneficiada. Já agora, nesse cenário duplamente hipotético de ter filhos e ser mulher eu acho que amamentaria. Mas estas minhas projecções fantasiosas não esquecem que esta é uma decisão que cabe às futuras mães tomar. Uma decisão delicada, talvez?



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