Uma verdadeira armadilha retórica

Mostrar um certo distanciamento em relação às tecnologias emergentes é uma daquelas marcas de água dos intelectuais. Mas essa celebrada marginalidade tende também a ser um discurso adoptado por quem quer marcar a diferença em relação a práticas que, reconheça-mo-lo, se disseminam até ao vómito. O uso do telemóvel é sem dúvida uma delas. Eu próprio tenho os meus anticorpos e a tentação de os usar como demarcação identitária. Mas sempre que alguém, aproveitando um qualquer ensejo, inventaria para comigo a sua repulsa pelo telemóvel, falando da sua negligência com a bateria, do tempo que a máquina passa desligada, das chamadas perdidas feitas troféu ao fim do dia,..., eu costumo responder com simplicidade: "Sabes, esforço-me por ter sempre o meu telemóvel ligado e perto de mim; a qualquer hora um amigo pode precisar da minha ajuda por alguma razão grave. Já conteceu." Gaguejos. As respostas que recebo.



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