Potlatch

No Ensaio sobre a Dádiva Marcel Mauss analisa como os grupos e os indivíduos trocam dádivas no seio de sistemas de reciprocidade, numa lógica em que a prenda engendra uma dívida simbólica em quem recebe. E é essa mesma dívida que conduz à eternização dos ciclos de dádivas em círculos socais mais ou menos fechados. (Neste mundo blogosférico a gestão dos links obedece largamente a esta lógica. No mundo real temos o Natal, os dias de anos, o dia dos namorados, etc.). Um fenómeno que está fora de alcance - e da pretensão - da leitura de Mauss, é a intrigante razão que porque muitos namoros acabam com a devolução ritual de prendas. Um fim simbólico dramático que marca a quebra de um sistema relacional.

Quando assim sucede, a partilha que se fez passado fecha-se no retorno ao nada que sempre foi - decretado a posteriori. Uma vida franqueada para o porvir tende esvair-se num pathos raivoso que por muito tempo, antes da noite finda, chamará a falta de sentido para um duelo. Saber guardar as prendas pode ser um dom. Essa dádiva suprema que os antigos dizem vir de Deus.



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