Perdoem

Para quem aprecia este blogue com excepção para os meus assomos de clubismo, devo pedir desculpas por este interlúdio.

Após um frustrante mundial o país mergulhou numa tristeza. Não foi uma melancolia, mas antes uma dolorosa raiva agreste, um disseminado desejo de agredir a derrota, gerou-se uma sede de mártires - uma sede selectiva, até se esqueceram da estúpida expulsão do João Pinto - à luz da qual o valor de Vítor Baía foi negado até ao limite. Hoje, congratulado, vejo que a blogosfera começa a empreender uma reescrição da história nos termos sustentados por Walter Benjamin: aqui, aqui, aqui, aqui. Não será bem a clássica história dos vencidos, mas é certamente uma das suas modalidades mais insidiosas: a história dos vencedores silenciados. Baía é um deles (repare-se como, perante tanto ódio e desamor, ele tem sabido gerir o silêncio com uma contenção admirável).
Tento ser ponderado: Na minha análise Ricardo será ligeiramente melhor do que Baía entre os postes; Baía é muito melhor do que o Ricardo a sair aos cruzamentos. Baía é, na minha opinião, o melhor guarda-redes Português.

Uma coisa é certa, não é certamente o quarto melhor como pensa Scolari, esse vidente amigo de Roberto Leal! É claro que fico triste pelo saneamento de talento que Scolari vem fazendo na selecção, cujo sucesso está à vista. Mas depois penso neste portugal futeblístico cheio de ódio e inveja, predisposto a falar mal do pentedo, do equipamento de Baía, apenas porque sim, e concluo que não é de todo mau que ele fique pelo Porto a segurar bolas com a costumeira elegância e segurança. A outros, por certo mais dignos, caberá a honra de vestir as cores da nação. É que há mãos predestinadas para defender bolas de futebol, outras são imbuídas de uma vocação que acolhe bolas e taças com a mesma maestria. São raras. Em Portugal conheço duas.



<< Home