O ascetismo pós-moderno

Lá vai longínquo o tempo em que nos meses de frio havia quem andasse com o pijama por baixo da roupa. Numa altura em que o banho diário matinal era uma excentricidade, o uso do pijama tinha duas funções: as pessoas não tinham que se despir de manhã - aproveitando o quentinho da roupa colada ao corpo há horas - e sempre ficavam com uma grossa camada de tecido de manhã à noite.
Além do ocaso do pijama diurno, também se foram as ceroulas, relíquias que agora só já se devem ver no museu do traje. Com estas transformações novos problemas se levantam. Mas as dificuldades não estão equatativamente distribuídas. Hoje, as mulheres sempre podem recorrer às meias de vidro e às meias calças; Já os homens, precários, aguentam-se com uns quantos pêlos (quando os têm) por debaixo das calças.
Pois é, estamos mais limpinhos, despidos de antiguidades, revestidos de estilo, mas, seguindo as regras, rapar frio faz parte. A autoflagelação (falo mesmo da física, as metáforas merecem-me outos posts biograficamente informados) é uma prática que nunca passará de moda.



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