Não sou nada (...) À parte isso

O caro Jaquinzinhos até pode achar que a aventada suspensão da queima das fitas não passa de propaganda. Até pode não estar muito preocupado com os comerciantes que têm aí a época alta (Só as floristas devem fazer 80% da receita anual nesa semana). Agora que me chame Sociólogo é que eu acho gravíssimo. O que me incomoda nesta subtil ratoeira é eu não poder dizer que me sinto insultado, porque aí estaria a insultar os muitos sociólogos que eu muito estimo. Ora bolas! Mais uma ordália que aguarda o meu fracasso.
Bem sei que escorrem por aí alguns debates acerca das propensões político-ideológicas dos sociólogos. Perguntou Pedro Lomba se será a sociologia uma vocação das pessoas de esquerda, ou se, por outro lado, será a esquerda o produto da formação sociológica. Apreciava eu este debate com uma distante curiosidade de alguém de esquerda, quando o Jaquinzinhos me tira da poltrona voyeurista em que estava eu confortavelmente instalado. Eu que até já tinha encontrado uma explicação para a propensão das meninas de massagens se apresentarem como sociólogas nos anúncios, sou metido ao barulho. É verdade que vivemos num tempo de interdisciplinaridade, mas, a ser alguma coisa, serei antropólogo. Esta minha precisão não resulta da necessidade de demarcação dos debates prementes acerca dos sociólogos. É algo mais sério, recuperando-me para as narrativas verifico que encontro nessa distrinça um estranho apego identitário. Trata-se de uma relação de amor que nunca esconderei dos lábios que beijo.



<< Home