Invenções precárias: o amor?

Já aqui tinha falado d'a invenção do amor, enquanto um insidioso forjar de sentimentos, suscitado pelas pressões (sociais e emocionais, as coisas misturam-se) para casar e/ou ter filhos, pressões essas que se tornam mais significativas a patir de certa idade. E isto, aplica-se tanto para os descendentes das monarquias vizinhas, como para o mais comum dos mortais. Desde há uns tempos venho notando outra coisa, a assombrosa capacidade das pessoas para viverem com invenções que sabem ser precárias, elaborações de sentido em que nunca acreditarão. É assim: quando uma amiga ou um amigo me conta que começou a namorar, é normal que me saia a pergunta, talvez indiscreta: estás apaixond@?

Pois é, pelo silêncio que se instala ou pelas respostas evasivas, hesitantes e contristadas: "é boa pessoa", "é gira","é simpático", venho percebendo que estamos perante uma pergunta demasiado perigosa para se colocar. Acho que vou abdicar dela, não tenho esse direito! A verdade é bem esta: há pessoas que "necessitam" de sustentar relações, amem ou não! O que é estranho é que mesmo essas se invistam em forçar o ideário romântico, cuja concepção convive mal com a própria ideia de aprender a amar. Seria bem mais fácil, penso eu, retorquirem com uma pergunta: "É preciso amar para namorar/ casar?". Mas não, embrulham-se, incapazes de deslindar o que as move, e, pior, sentindo-se desconfortáveis com isso.
AH!, caso me perguntassem, obviamente, iria ficar bem calado, é que perguntas difíceis de colocar, merecem respostas que às vezes podem levar uma vida a ser encontradas.



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