Cruzada anti-Coimbrã

Eu, que até gosto de falar mal de Coimbra, agora vejo-me obrigado a pôr na fila. Curioso, lá à frente, junto ao balcão, vejo sempre a mesma pessoa.
Pacheco Pereira voltou a fazer mira aos estudantes de Coimbra no público. Eu poderia discutir a questão dos cadeados, diria talvez que estou de acordo com os fins dos estudantes. Diria que não me apoquenta a ideia que uma ilegalidade a coberto de uma legitimidade - naturalmente debatível.

Talvez dissesse também que as portas abertas representam uma ilusão, falaria talvez dos cadeados económicos que crescentemente vedarão o acesso aos estudantes com menos recursos - sabemos que a irrisória atribuição de bolsas não contempla casos de precariedade intermédia. Talvez usasse uma frase pungente: "temo que aquelas portas fiquem passivamente abertas, pois sei que assim muitos nunca entrarão; os professores estão lá para semana, não pode ser assim tão dramático!".

(Além do mais as portas laterais estão abertas, entrei hoje por uma para ir a um colóquio na facudade de Direito).

Porventura remataria que a efectiva criação da possibilidade de todos acederem à Universidade é também constitutiva do direito de opção - para usar essa essa parte da democracia de que os neoliberais gostam, esquecendo-se voluntária e reiteradamente da democracia nos direitos económicos e sociais.
Mas não! Quero falar da estranha pulsão de JPP em relação aos estudantes de Coimbra. A verdade é que eu até compreendo os argumentos daqueles que se opõem à história dos cadeados, o que eu começo a não perceber é a obssessão de JPP! Meu Deus, o que terá acontecido no passado de tão traumático?!

JPP já deve ter falado mais dos estudantes de Coimbra nos últimos meses que a imprensa da universidade em 7 séculos. Será isto correspondente à premência desta universidade na actualidade política? JPP pôs de lado a visita de Bush ao Londres, a situação na Nassiria, o caso de Michael Jackson, tudo para debitar pela milionésima vez o asco aos provincianos estudantes de Coimbra. Domingo lá estará outra vez! Começo a pensar que JPP se afimou como um fazedor de opinão nos jornais, na rádio e na televisão, apenas para resolver uma questão antiga com a Academia de Coimbra. Será que tudo o resto é um pretexto? Oh Não!!!!! os quadros.., os livros..., a apologia da guerra contra o terror, o não à constituição europeia, a música country, as manhãs poéticas, os voos sobre as nuvens. Não posso crer, ficaria triste se assim fosse. É que, concordando ou não, prezo-o como um dos bloggers mais dedicado e generoso para com os seus leitores. Não tenho que me envergonhar de ser um deles.
Aviz começava assim um post: "Eu, que não tenho má relação com Coimbra,..."
Devo ler aqui um contraponto em relação a JPP? Talvez esteja a sobreler.



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