castidade hardcore

Sempre apreciei a estetização do celibato por terras mexianas. Talvez seja verdade que a castidade também pode ser hardcore , no fundo a sua narrativização carrega a marca de uma subversão por relação à narrativa masculina dominante. Em tempos reflecti sobre a disseminada omissão dos bloggers em relação aos seus parceiros - hoje verifico que esse silêncio está menos rigoroso, talvez por ter me ter tornado leitor de mais bloggers mullheres. Nessa altura assinalei o dicionário como um curioso enclave discursivo acerca dos afectos e da sexualidade. Isto porque, não havendo (à excepção do Pipi) um espaço em que as conquistas sejam triunfalmente celebradas, são as "condições de impossibilidade" que Mexia desvela que mais saborosamente quebram com deferência em relação a uma dimensão que, embora central à vida de todos nós, faz notar a sua singularidade pela ausência dos ecrãs (dos computadores).
De facto, a auto-ironia de Mexia é feita depender largamente da aceitação de uma justiça transcendente, em que as particularidades da alma e do corpo assomam como a legitimação de um status quo celibatário presente ao nível dos discursos (naturalmente as práticas não são para aqui chamadas.)
O meu caro JMF - por estes dias um dos meus blogs de eleição - apela à indignação em relação ao relato de inocentes histórias sociais com senhoras casadoiras trazidas em tom tágico-cómico. Eu acho que o simples facto de esses relatos surgirem é garante suficiente de probidade do "delator" na situação em causa. De facto, nestas e outras matérias, gravosos serão os silêncios e os anonimatos. Eu adultero Wittgenstein: acerca daquilo que se pode falar, tudo pode ser dito.



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