A arquitectura da desgraça

Agora que o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência chega ao fim, a RTP decide dar-lhe alguma atenção com a exibição de documetários durante esta semana (o que vi hoje estava muito bem feito). É de facto impressionante... A declaração do Ano Europeu pela Comissão Europeia tinha por objectivo central dar visibilidade durante um anos à situação de marginalidade social vivida pelas pessoas com as mais diversas deficiências. No entanto, com o fantástico empenho dos poderes políticos e dos media a coisa vai saldar-se por um rotundo fracasso, uma oportunidade perdida: Pois este marasmo é o que nos espera (como sempre) e o nosso futuro é esta sombra, este torpor, esta exclusão tão antiga que nem percebemos o seu peso insuportável!...

Não serão 6 Milhões, mas, de acordo com os censos de 2001, há 634 408 pessoas neste país com alguma deficiência. O facto niguém os ver é expressivo da sociedade inclusiva que vamos criando. Quando fui à Holanda reparei no elevado número de deficientes motores que se passevam pelas ruas nas suas cadeiras eléctricas (provavelmente financiadas pelo estado). Cadê os "nossos"?

P.s. Uma coisa interessante nas organizações internacionais de pessoas com deficiência é a sua oposição à guerra. Elas sabem que quando as notícias de um conflito falam de mortos e feridos muito fica por contar. Talvez devessemos juntar aos editorias e artigos de opinião perspectivas corporalmente informadas (e psicologicamente, no caso do Post Traumatic Stress Disorder).



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