Armadilhas palavrosas

A propósito de um recente post, colocaram-me aqui uma questão acerca da profundidade da pergunta "estás apaixonad@?" A pertinência da perspicaz interpelação parte desta ideia: " Apaixonar vêm de paixão. É paixão a mesma coisa que amor?"

Não acho que sejam a mesma coisa, portanto, tomemos essa distinção clásssica como ponto de partida. De facto é verdade que apaixonar vem de paixão, mas eu penso que o lastro simbólico e afectivo de uma "pessoa apaixonada" não corresponde à ideia de paixão em sentido estrito. Contra qualquer possibilidade de pureza etimológica, a palavra "apaixonad@", no meu entender, encontra-se já permeada pela invasão do amor. É um étimo andrajoso, saiu de casa, contaminou-se nas suas apropriações. Enfim, apaixonou-se pela palavra "amor". A "paixão" está mais circunscrita, cálida, mas empedernida na ideia de arrebatamento fugaz.

Acredito, por isso, que a resposta positiva à pergunta "estás apaixonad@?" nos compromete para além da assunção de uma paixão.



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