Reflexões em torno do xoxo da amizade

O post sobre os xoxos da amizade provoca reacções. O professor angustiado oferece-nos uma preciosa leitura de outros contextos culturais: "Tendo vivido nos EUA durante quatro anos, num contexto universitário, com uma
cultura muito peculiar, tenho que concordar INTEGRALMENTE com a caracterização
do "xoxo da amizade". Inserido num grupo mais ou menos fechado e coeso de
estudantes internacionais, predominantemente europeus, eu próprio o pratiquei
regularmente com francesas, russas, americanas e americanos. Em particular,
com Diane (uma americana) e com Elena (uma russa) era quase exclusivamente a
forma de saudação. Infelizmente, como em muitas outras áreas, Portugal
encontra-se ainda bastante atrasado na adopção deste costume tão
característico dos países desenvolvidos."
Deusa do Blog mostra-se mais crítica:
"Devo dizer que essa coisa do "xoxo de amizade", a ser a sério é coisa de eunucos. Gente normal mete a língua. Mas de qualquer forma o conceito é estranho. O que teremos a seguir? "Sexo de amizade"? O tipo(a), nú, chega ao pé da tipa(o) por trás, abraça-a(o) e encosta-se a ela(o) e diz-lhe: "És a minha melhor amiga". De seguida, veste as calças e vai jantar.... hum...."
Andreia, a Borboleta, medita na sua doce experiência:
"Venho por este meio (demasiado público, é verdade) assegurar que a sua reflexão acerca deste fenómeno está correctíssima e que eu subscrevo tudo pois... já experimentei. Foi com a minha roommate e foi engraçado. Acima de tudo, um xoxo da amizade... é um acto bonito.Ter-me-ei comprometido de alguma forma?"
Adeus é peremptório
"Penso que o xoxo de amizade simboliza o contrário de uma "amizade chocha"."
O relativismo cultural poder ser apenas isto, procurar perceber como os eventos adquirem sentido nos contextos das suas práticas. Aqui valem não apenas as diferentes constelações de significado das culturas em que elas acontecem, mas também as narrativas biográficas dos intervenientes. Dois elementos que estruturam decisivamente a ideia que se faz do xoxo da amizade, a tensão entre eles fica deliciosamente expressa na pergunta final da Andreia "Ter-me-ei comprometido de alguma forma?", já Fernando, o Professor Angustiado, fala de um espaço-tempo em que os xoxos adquirem naturalidade. Uma doce naturalidade diria eu, mas, claro, sou suspeito.

Continuarei a recolher opiniões.



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