A etnografia impossível

Profetiza Tiago: "Chegará o dia em que ao falarmos de espiritualidade não teremos de o fazer num balneário".

Balneários. A brincar ou a mais a sério, sempre joguei futebol, sempre frequentei balneários(frequentar?). Um dia escreverei uma monografia sobre a relação dos balneários com a cultura patriarcal/homofóbica. Mas deixo-vos desde já uma questão que há anos me vem intrigando.
Porque é que o pessoal antes de ir para o banho faz umas discretas festinhas ao pipi para ele ficar maior, tipo, a meio gás? Será que querem que a sua masculinidade seja bem representada, ou preparam-se para a possibilidade de uma orgia homo inconfesadamente desejada? Na verdade os rituais machos fundam-se na negação desta dúvida, portanto, é ela que os sustenta.

Sei que há um projecto que nunca realizarei, a etnografia de um balneário feminino. Um projecto epistemológico tão ambicionado que chegei a sonhar com ele na minha adolescência. Às vezes a injustica do mundo revela-se com estes requintes de malvadez.

Outra coisa que nunca poderei estudar empiricamente é a solidão de um camionista de longo curso. Mas penso nela, há aí uma qualquer metáfora que deve funcionar ontologicamente.




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