Encenações delirantes

"A minha vaidade e a minha nostalgia montaram uma cena impossível"

Jorge Luís Borges

Borges, creio, falava de uma cortesia que um morto lhe havia prestado. Estes ensandeceres, habitualmente compostos quando lavamos os dentes, descalçamos um sapato na borda da cama, ou nos dedicamos a outras prosaicas demoras, são assim mesmo, por vocação nunca sobem a palco, querem-se, há que assumir, demasiado tardios, demasiado nobres para nós. No entanto, há quem diga, representam um relicário demasiado importante para não ser acarinhado como "nosso": os nossos fracassos, aqueles que inventámos e nutrimos para nos entreter - desgraçar, talvez. Um dia estive duas horas para descalçar um sapato, horas grandiloquentes. Desgraçadamente.



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