As babes e a lourinha de desporto

Por via de alguns programas de rádio e de televisão dirigidos às culturas jovens, popularizou-se em portugal o termo babe para referir um elemento mais crocante do sexo feminino. O recente uso da expresão babe serve a uma renovada linguagem patriarcal e falocêntrica que coisifica a mulher deíficando o desejo masculino. O termo babe é tão mais interessante porque representa uma novidade - é uma importação linguística imbuída de actualidade -, constituindo, ao mesmo tempo, uma perpetuação geracional de discursos afirmativos do maculino. Ou seja, os jovens de hoje dizem babe como os nossos avós diriam febroca. Será que nada mudou? Eu acho que sim, dá-me particular gozo concluir que o uso de babe está definiticamente ancorado à ansiedade da perda de um patriarcado que ulula "viva ao rei" no átrio da sua morte. Cada vez mais os aduladores babes têm dificuladade em conformar-se às suas próprias criações, tarde ou cedo concluirão que elas têm vida própia e antes de babe já tinham um nome. Nestes tempos há que fazer as exéquias ao rei para beijar a raínha. Estaremos já numa fase pós-babe?

p.s. Os posts de Pedro Mexia acerca da lourinha de desporto representam de modo hilariante esta passagem, vide "Cara «lourinha» de desporto":
Numa onda pós (ou não) deixo-vos com Eugénio de Andrade

Madrigal

Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.





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